
Março Amarelo 2026 marcou mais um importante capítulo na conscientização sobre a endometriose no Brasil. No elegante cenário do Palácio Tangará, em São Paulo, aconteceu o evento "Eu, Elas e a Endometriose", um encontro criado para aproximar ciência, medicina e pacientes em um ambiente de diálogo, aprendizado e esperança.Mais do que uma palestra, o evento representou um movimento em favor das milhões de mulheres que convivem diariamente com uma doença ainda cercada por desinformação e diagnósticos tardios.

Durante muitos anos, a endometriose foi explicada apenas como uma doença causada pela menstruação retrógrada ou resumida à presença de "focos" espalhados pela pelve.Hoje, entretanto, a ciência vem ampliando essa compreensão.Ao longo do encontro, foram apresentados conceitos modernos que ajudam a entender que a endometriose é muito mais complexa do que pequenas lesões superficiais. Foram discutidos aspectos relacionados à sua distribuição anatômica previsível, às alterações embrionárias do desenvolvimento dos tecidos mullerianos, ao processo inflamatório crônico, à fibrose, ao encarceramento de nervos pélvicos e ao impacto sistêmico que a doença pode provocar.Essa visão permite compreender por que tantas pacientes apresentam dor intensa, alterações urinárias, intestinais, infertilidade e comprometimento significativo da qualidade de vida, mesmo quando exames de imagem parecem pouco expressivos.
Um dos principais objetivos do evento foi aproximar o conhecimento científico das pacientes.Cada explicação teve como propósito traduzir conceitos complexos em uma linguagem acessível, permitindo que mulheres e familiares compreendessem melhor a doença e participassem ativamente das decisões sobre o tratamento.Quando uma paciente entende o que acontece em seu próprio corpo, ela deixa de conviver apenas com dúvidas e passa a tomar decisões baseadas em conhecimento.
Um dos temas centrais discutidos foi a importância do diagnóstico clínico realizado por profissionais experientes.Embora exames como a ressonância magnética sejam ferramentas importantes, eles não substituem uma avaliação clínica detalhada. Muitas pacientes convivem durante anos com dor incapacitante apesar de exames considerados "normais".Reconhecer os sintomas, correlacioná-los com a anatomia pélvica e compreender os diferentes padrões da doença continua sendo fundamental para um tratamento adequado.

Também foi abordada a necessidade de personalizar o tratamento para cada mulher.A endometriose não possui uma única forma de apresentação, e por isso não existe uma única solução para todas as pacientes.Dependendo do caso, o manejo pode incluir acompanhamento clínico, controle da dor, fisioterapia especializada, suporte multiprofissional e, quando indicado, cirurgia realizada por equipes experientes em procedimentos minimamente invasivos.O objetivo deve ser sempre restaurar qualidade de vida, aliviar sintomas e preservar a função dos órgãos pélvicos.
O evento também reforçou a importância da educação continuada.Compartilhar conhecimento entre médicos, estudantes, profissionais da saúde e pacientes acelera a incorporação de novas evidências científicas e contribui para reduzir o tempo até o diagnóstico — que ainda leva vários anos para muitas mulheres.A conscientização começa pela informação correta.

O Março Amarelo simboliza a luta pela conscientização da endometriose.Mas essa conscientização não deve acontecer apenas durante um mês do ano.Ela precisa estar presente diariamente nos consultórios, hospitais, universidades, congressos e nas redes sociais, para que cada vez menos mulheres tenham sua dor minimizada ou considerada "normal".
O "Eu, Elas e a Endometriose" foi mais do que um evento científico.Foi um espaço de escuta, acolhimento e compartilhamento de conhecimento, reafirmando o compromisso de levar informação baseada em evidências, estimular o diagnóstico precoce e oferecer esperança às mulheres que convivem com a doença.Cada paciente que compreende melhor sua condição torna-se protagonista do próprio tratamento.E cada profissional que compartilha conhecimento contribui para transformar a realidade da endometriose no Brasil.Porque conscientizar é o primeiro passo para cuidar.
